Sobre um incêndio em Andrães e uma trovoada em Mosteirô, nos finais do século XVII


Um jovem de Constantim, Francisco Ferreira, fez-me chegar cópia de dois textos do século XVII, escritos pelo Reitor /Pároco de Andrães, ao tempo, e a respetiva transcrição.

Pelo que dizem os textos, que ficam para a história da Paróquia, achei interessante partilhar no Escarpas do Corgo.

Para o Francisco, o meu muito obrigado.

 

Incêndio em Andrães, em 1687, que só parou graças às preces do povo ao Santíssimo Sacramento

“Em o ultimo dia do mes de Agosto do ano mil, et seis centos, et oytenta et sete as duas horas da tarde se levantou neste Lugar de Andraês hú fogo tal, que bem exprimia a figura do dia do juizo; pois dentro de menos de húa hora levantandose com a primeyra casa do lugar da parte direyta conforme a igreja, se queymarâo trinta, et oyto casas fora os quinteiros dos bens que ellas tinhâo, et fructos recebidos, et veyo a parar por misericordia de Deos, et virtude do Santissimo Sacramento, a que se acudiu cô preces na casa da renda que ficou ilesa cô mais quatro casas entre meyo que erâo de telha, sem poder valler humana industria algûa, nem trabalho muito dos moradores, et lugares visinhos de Constantim, Mosteyro, Fonteyta, Sancibrâo, Galegos, et Quarroqueymado, et por ser tâo notavel, para memoria, et louvor do Santissimo Sacramento fis este dia ut supra

O Reytor Luis Fernandes Pinheyro”

 

Trovoada em Mosteirô, em 1697, no Dia do Corpo de Deus

“Aos seis dias do mes de junho do ano mil, et seis centos, et noventa, et sete dia do Corpo de Deos depois do meyo dia se levantou húa trovoada tal que no lugar de Mosteyro, onde entâo reynava a onzena, et a velhacaria, et traença, et os pezàrios et pouco respeyto, et inquietaçâo ao paroco cô falsidores, se deytaram cô notavel pedra, et agoa, vento, et juntos cairâo por ao redor do Lugar quinze rayos, dos quais nove cairâo por cima do Lugar, em diversos castanheyros, que os destruirâo, et em alguns dos das cabeças da velhacaria aos pares, et por ser tâo notavel esta mostra da divina justiça, ou de suas ameaças fis este

O Reytor Luis Fernandes Pinheyro”



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