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Os Paços do Concelho de Vila Real - Breve resenha histórica

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  Inicialmente foi um Hospital Exemplar de arquitetura civil do primeiro quartel do séc. XIX, o atual edifício dos Paços do Concelho é propriedade do Município desde 1915, por aquisição à Santa Casa da Misericórdia que o construiu de raiz e nele teve a funcionar, durante quase um século, o Hospital da Divina Providência . Foi construído entre 1817 e 1820 em terrenos adquiridos por iniciativa do então provedor da Santa Casa da Misericórdia , tenente de Cavalaria 6 Francisco da Silveira Pinto da Fonseca, futuro General Silveira e Conde de Amarante . Estes terrenos eram destinados, conforme o próprio título de aquisição, a um hospital a estabelecer com a designação de Hospital da Divina Providência , na sequência de um movimento de solidariedade que, além do futuro General Silveira , contou também com o apoio de muitos beneméritos locais. Destes são de destacar os comerciantes José e Francisco Rodrigues de Freitas , em homenagem aos quais foi dado o nome de Largo dos Freit...

Cristas de Galo ou “Pastéis de Toucinho”

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Os “ pastéis de toucinho “, também conhecidos por “ pastéis de Vila Real ” e, mais recentemente, por “ cristas ” ou “ cristas de galo “, são uma criação das monjas do Convento de Nossa Senhora do Amparo da Ordem de Santa Clara . Basta um olhar atento ao seu formato para se perceber porque um dia as crianças lhe começaram a chamar "crista de galo". Certamente, uma das espécies mais representativas da doçaria conventual vila-realense, que compreende, igualmente, os pastéis de Santa Clara , também conhecidos por viuvinhas , as laranjas de Vila Real , hoje tigelinhas de laranja , a fruta coberta, as frutas de conserva, a marmelada e o arroz doce, que na altura levava amêndoa. Os pastéis de toucinho (às vezes, impropriamente, chamados de toucinho-do-céu ) eram consumidos no convento na 5ª feira gorda (a seguir ao Carnaval). Também confecionados nos momentos em que se distribuíam as «obrigações» que o convento teve e manteve ao longo de toda a sua existência, e estavam cons...

Vila Real de Trás-os-Montes, por A. Lopes Mendes, em 1886

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Vila Real de Trás-os-Montes ( Desenho do natural pelo artista amador sr. Lopes Mendes ) Vila Real de Trás-os-Montes Vila Real , essa gentil princesa dilecta do rei lavrador D. Dinis , príncipe insigne em muitas virtudes, que em 1289 mandou proceder à sua fundação, arvorando-a em capital da terra de Panóias , demora a 41º e 16' de latitude norte e a 1º 20' de longitude oriental do meridiano de Lisboa. Assenta, como mostra o nosso desenho do natural, sobre imponentes alcantis, donde se disfrutam belos e pitorescos horizontes. O solo que lhe serve de base é enxuto, porque os dois rios Corgo e Cabril , que a cercam, correm fundos e vertiginosos; além disso, é toda assente em terreno granítico, alto, alegre e arvorejado, com exposição ao nascente, sul e ocidente, e por consequência mimosa, de uma atmosfera oxigenada e cheia de sol, tanto na florida primavera como no fértil estio, no rico outono e brando inverno. As montanhas que coroam Vila Real são as serras do Marão a oes...

A Estátua de Vila Real

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“A 27 de Novembro de 1755, o mestre Matias Lourenço de Matos  arrematou a obra de decoração dos arcos da galeria, no  Campo do Tabulado , com a edificação de um soco e uma peanha sobre qual colocaram uma estátua, com a imagem de uma mulher, vestida de guerreiro, com elmo e empunhando uma lança e escudo. A elaboração da escultura, simbolizando Vila Real , foi arrematada em 3 de Setembro de 1755, por António de Nogueira , mestre estatuário, do Minho. (1) Ao mesmo tempo foi adjudicada a elaboração da imagem de Nossa Senhora da Conceição , que seria aplicada na Fonte de S. Francisco , ou Fonte Joanina , na Carreira de Baixo , construída entre 1738 e 1739. No pedestal da estátua havia uma inscrição que dizia: " O nome de Vila Real que tenho conquistei-o com grande esforço. Não queiras títulos reais obtidos de outra forma ". (2) Segundo a tradição, foi sob os olhares desta estátua que, na época das invasões francesas, se formou o Batalhão de Caçadores n.° 3 , baptizado de “ B...

Sé de Vila Real - Aspetos gerais das naves (antes e depois das obras)

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Igreja de São Domingos - Sé de Vila Real - Aspeto geral das naves antes das obras "A  Igreja de São Domingos , sede de um convento dessa  ordem   fundado por monges vimaranenses no tempo de  D.João I   (1421) e erigido a partir de 1424, constitui o melhor exemplo transmontano da arquitetura gótica. O plano aqui adotado, despojado e funcional, composto por três naves de três tramos, transepto saliente e cabeceira de capela-mor única, testemunha a cronologia quatrocentista da obra, circunstância reforçada ainda por outros elementos decorativos, como as pilastras chanfradas, os capitéis de folhagem de tipo batalhino, ou a fachada com robustos contrafortes cingindo o portal, este de três arcos apontados, inscrito em  gablete  e sobrepujado por rosácea. Situado extra-muros, no antigo  campo do Tavolado , com adro ornado com um cruzeiro de alto fuste (datado do século XVI), trata-se de um tipo de arquitetura gótica de porte robusto, em variação regi...

Celebrações no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes – Vila Real

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Nos próximos dias 10 e 11 de fevereiro , vão realizar-se, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes – Vila Real , celebrações religiosas, presididas pelo Bispo de Vila Real, Dom António Augusto de Azevedo , no âmbito do Dia Mundial do Doente . Assim: - Dia 10, às 18h30 , a Missa da Vigília da Virgem Santa Maria de Lourdes; - Dia 11, às 15h00 , a Missa da Memória da Virgem Santa Maria de Lourdes, com a bênção dos doentes; A  Capela de Nossa Senhora de Lourdes , construída num terreno localizado na Costa do Pombo , antiga estrada de Folhadela, e propriedade do Mons. Jerónimo do Amaral , foi aberta ao culto no dia 3 de Agosto de 1924, em celebração presidida pelo então Bispo de Vila Real,  D. João Evangelista de Lima Vidal . ( cf. "Monografia do Concelho de Vila Real", Júlio António Borges ) ***** Mensagem do Papa Leão XIV para o XXXIV Dia Mundial do Doente “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro” Queridos irmãos e irmãs, O XXXIV Dia Mu...

Roteiro arqueológico e artístico do concelho de Vila Real

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“O Concelho de Vila Real situa-se, grosso modo , na concha geológica escavada pelo rio Corgo e seus afluentes. O fulcro deve ter sido um lago formado pelo rio Cabril , cobrindo os terrenos baixos das actuais freguesias de Lordelo, Vila Marim e Parada de Cunhos. Ter-se-ia escoado através da garganta aberta entre a Vila Velha e o Monte da Forca . Esta larga concha geológica em que se confina o concelho é limitada,  - a Sul , pelos topos das encostas da margem direita do rio Douro ;  - a Norte , pela Serra da Padrela ;  - a Nascente , pelos planaltos da Azinheira ;  - e, a Poente , pelas serras do Marão e do Alvão . Terra de largas paisagens, mimosa em água, que brota de milhares de fontes, abundante em caça e pastagens, deve ter sido muito disputada através dos milénios.  E todos os povos por aqui deixaram marcas indeléveis. Talvez procurando a amenidade do hipotético lago, os homens do Paleolítico teriam um lugar de paragem temporária em Vila Marim....

No Largo do Pelourinho representavam-se as comédias!

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Vila Real - Largo do Pelourinho “Acerca do primitivo pelourinho da cidade , seria curioso conhecermos algo da sua arquitetura, mas isso torna-se quási impossível porque nem mesmo na Torre do Tombo existe qualquer documento que a esclareça. Todavia, por um desenho existente pôde a Câmara Municipal reconstruí-lo e reintegrá-lo na sua forma primitiva, aproveitando a respetiva coluna e algumas peças soltas [ver imagem abaixo]. O local onde foi primitivamente colocado parece ter sido o do Largo do Pelourinho , pois existe um manuscrito [" Rellação de Vila Real e seo Termo ", 1721] onde se lê o seguinte: « Da parte de dentro deste arco (sendo da parte de fora o Campo do Tabolado ) está a praça, que é rossio quadrado, aonde está o pelourinho feito com grandeza e primor de arte, nele se vende pão cozido, pescado, azeite, frutas, hortaliça, leitões, caças, queijo, fruta seca, doces e outras coisas comestíveis de que sempre está provido. Na quadratura desta rua da Praça em qu...

O Chafariz Metálico | Chafarizes e fontes em Vila Real

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O Chafariz Metálico na Praça Luiz de Camões O chafariz que actualmente se encontra [ encontrava ] na Praça Luis de Camões tornou-se quase um ex-libris da cidade. Mas a sua primeira instalação, em 1891, ocorre em frente da Igreja de São Domingos , sensivelmente a meio da artéria que hoje conhecemos por Avenida Carvalho Araújo . Construído na Fábrica do Bolhão, o Chafariz Metálico veio substituir o velho Chafariz do Tabulado , que em 1532 mandara fazer D. Pedro de Castro . A sua aquisição deve ser entendida no contexto de uma série de melhoramentos importantes que Vila Real fica a dever a gestão municipal de Avelino Patena , um jovem e fulgurante político que, com apenas 23 anos de idade, se torna o candidato mais votado nas eleições para a Câmara realizadas em Novembro de 1889. Patena toma posse do cargo de presidente da autarquia em 2 de Janeiro de 1890. Contudo, vítima de forte perseguição política, vai aguentar-se à frente dos destinos do concelho apenas 16 meses. Ainda a...