EDUCAÇÃO não pode ser paixão!

Diz um provérbio africano que «Para educar uma criança é necessária toda uma aldeia».

Perante esta evidência, ninguém se pode eximir de participar nesta nobre missão com o seu “saber fazer” mas, principalmente, com o seu “saber ser”.

Ao mesmo tempo, e embora possa haver quem tenha opinião inversa, estou convicto de que cada cêntimo retirado ao “investimento na educação”, mais cedo ou mais tarde – e creio que mais cedo do que tarde – fará com que nos arrependamos amargamente.

Infelizmente, quando tivermos oportunidade para comprovar esta realidade (cêntimos poupados na educação vão custar-nos, anos mais tarde, muitos euros noutras áreas…), já nada poderemos fazer para remediar esta situação, nem para “julgar” devidamente os “culpados”, porque os “crimes” já terão prescrito.

Sim, considero um “crime” poupar (por mais pequena que seja a quantia) na EDUCAÇÃO das crianças e jovens que um dia governarão o nosso país, afirmando-se como líderes locais, regionais, nacionais e, quem sabe, mundiais…

Não quero com isto dizer que se deve gastar, indiscriminadamente, “o que temos e o que não temos”, como se não houvesse amanhã. O que defendo, convictamente, é que se há área de actividade humana onde se deve investir sempre é na Educação (incluindo nesta palavra também a ciência e a investigação).

Dir-me-ão que o dinheiro disponível não chega para tudo. É a dura verdade. Logo, há que fazer opções. E é pelas opções que forem feitas que poderemos constatar a “largueza e profundidade de horizontes”, a competência e o sentido de responsabilidade dos nossos governantes.

A EDUCAÇÃO não pode – nunca – ser uma paixão! A paixão é efémera, fugaz, não perdura por muito tempo. Não tem condições para crescer, antes e apenas para minguar até desaparecer.

A EDUCAÇÃO deve ser encarada como um AMOR, maduro e responsável, que precisa de ser, constante e atentamente, cultivado, para não se correr o risco de definhar e desaparecer.

Diz um aforismo chinês que “Se vires um pessoa com fome à beira de um rio, não lhe dês uma cana, mas ensina-o a pescar». Ora, a Educação é a cana! Tudo o resto são “peixes”, que se consomem…

Indignação silenciosa que grita aos quatro-ventos

Para propor a redução do número de Juntas de Freguesia e do número de Vereadores, o Ministro Miguel Relvas (numa das suas visitas ao Brasil), deve ter-se inspirado nestes outdoors:





Em Jaraguá (Brasil), a população, protestou de forma silenciosa mas demonstrou a sua indignação acerca da proposta de aumento do número de vereadores na Câmara, colocando estes outdoors.

Se a moda pega por estes lado, as empresas gráficas e as empresas que alugam outdoors vão passar ao lado da crise!

Deus nos livre dos obsessivos!

Todos os que não têm memória curta nem são facciosos ou sectários, facilmente se lembrarão de algumas das últimas obsessões do anterior Primeiro-ministro, José Sócrates: tudo estava a correr sempre bem, o país não estava em crise! E quando começaram a surgir os primeiros sinais da crise: o país já estava a sair dela (e era o primeiro a sair), pois os dados macroeconómicos eram formidáveis, etc., etc… até à obsessão final de recusar o mais que pode (o que veio agravar ainda mais a nossa situação) até se ver obrigado a pedir ajuda financeira externa.

José Sócrates foi, durante anos, a imagem da OBSTINAÇÃO (no mau sentido), e que em nada ajudou (muito pelo contrário), o nosso país.

A teimosia (no bom sentido) ou perseverança, são valores que devemos cultivar. Mas quando sob a capa de perseverança se escondem comportamentos obsessivos de teimosia obstinada e inflexível, algo está mal.

Estou convicto de que o actual Primeiro-ministro, seriamente convicto de que tem um “destino a cumprir”, e no seu afã de mostrar serviço à Troika, aos “mercados”, à dupla Merkle-Sarkozy, etc., está a enveredar por um caminho de pura obstinação, esquecendo que com a emigração a aumentar, e a vida da maior parte dos portugueses a desfazer-se, angustiados, deprimidos, sem qualquer esperança nem sinais, ainda que ténues, de um amanhã melhor, rapidamente se vai tornar num PM de montes e vales, praias ensolaradas, rios, barragens, florestas queimadas, aldeias e vilas desertas, cidades a abarrotar de desempregados, vagueando pelas ruas, e onde os crimes violentos aumentarão a um ritmo vertiginoso.

É que na sua última entrevista, o nosso PM já colocou a possibilidade de, caso haja algum problema “externo”, a austeridade ter de aumentar em 2012. Mas não foi capaz, porque não quis, não se lembrou ou está proibido de equacionar a possibilidade de dizer, alto e bom som: se os factores externos não nos permitirem alcançar em 2012 o défice previsto, não aumentarei a austeridade dos portugueses (porque não é culpa deles!), antes vou negociar o aumento do valor do défice.

Não sou economista, nem tenho formação na área financeira, mas parece-me do senso comum que não vale a pena continuar a espoliar mais os portugueses, pois quanto menos cada um de nós tiver para poder sobreviver, mais difícil será a vida de todos e mais difícil será a recuperação, não só económica, mas também social.

Há um limite para tudo. E estou convicto de que já ultrapassamos o limite do suportável!

Esperemos que não seja necessário promovermos procissões, não a pedir chuva ou sol (com antigamente, quando um deles faltava), mas a pedir bom senso e humanidade para os nossos governantes.

Perante tudo o que nos está a acontecer, só Deus nos pode ajudar!
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