Rua de Teixeira de Souza | Razões da toponímia vila-realense

 

Razões da toponímia vila-realense |

«Pelo vogal senhor José da Luz foi apresentada a seguinte proposta a qual foi aprovada por unanimidade: “Dos políticos que nos últimos tempos prestaram serviços a esta cidade o Município já prestou a sua homenagem a dois d’eles, Conselheiro Antonio de Azevedo Castelo Branco e Conde de Vila Real dando-lhe o seu nome a duas ruas d’esta cidade. Está ainda em aberto a dívida de gratidão d’este Município a um cidadão prestante que tanto concorreu para a construção do caminho de ferro da Regua a Vila Real e para a construção da ponte metálica que liga Vila Real à Estação. Refiro-me ao conselheiro Antonio Teixeira de Souza. Proponho por isso que á rua da Portela seja dado o nome de Rua Teixeira de Souza.»

Fonte: Atas da Câmara Municipal de Vila Real – Sessão de 23/12/1926 | CT: AMVR/ALL-CMVR/B/A/001/Lv075

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António Teixeira de Souza (1857-1917), Médico e político

António Teixeira de Souza nasceu a 5 de maio de 1857, na freguesia de Celeirós do Douro, concelho de Sabrosa, no distrito de Vila Real. Oriundo de Trás-os-Montes, destacou-se desde cedo pelo seu talento académico e pela determinação que viria a marcar toda a sua vida pública.

Frequentou os estudos liceais em Vila Real e prosseguiu a formação no Porto, primeiro na Academia Politécnica e depois na Escola Médico-Cirúrgica, onde concluiu o curso de Medicina em 1883 com uma dissertação intitulada Inervação do coração. O seu mérito académico valeu-lhe o prestigiado Prémio Macedo Pinto, atribuído ao aluno mais distinto do curso.

Nos primeiros anos da sua carreira exerceu medicina em Valpaços, serviu como cirurgião-ajudante do Exército e assumiu a direção técnica das termas de Pedras Salgadas e de Vidago, duas importantes estâncias termais da época. Paralelamente, colaborou ativamente na imprensa regional, escrevendo para o jornal O Distrito de Vila Real, revelando já um forte interesse pelas questões políticas e sociais do país.

A entrada na vida política aconteceu no seio do Partido Regenerador, onde rapidamente ganhou projeção nacional. Foi deputado na Câmara dos Deputados entre 1890 e 1900, procurador à Junta Geral do Distrito e governador civil de Bragança. Em 1900 foi nomeado Par do Reino e integrou os governos liderados por Hintze Ribeiro, desempenhando funções como ministro da Marinha e Ultramar e, mais tarde, ministro da Fazenda.

Homem de forte personalidade, ganhou reputação pela firmeza das suas intervenções parlamentares e pela capacidade de liderança.

Além da atividade governativa, ocupou diversos cargos de relevo na administração pública e financeira do país. Foi inspetor da Companhia dos Tabacos no círculo do Norte, diretor-geral das Alfândegas do Reino, presidente do Tribunal Superior do Contencioso Técnico Aduaneiro, presidente do Conselho de Administração-Geral das Alfândegas e governador do Banco Nacional Ultramarino. Estas funções demonstram a confiança política e administrativa que nele era depositada.

Em 1910, num dos períodos mais delicados da história portuguesa, António Teixeira de Sousa tornou-se presidente do Conselho de Ministros, assumindo o cargo de último chefe de governo da Monarquia Constitucional. O seu mandato decorreu nos meses finais do regime monárquico e terminou com a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910. O próprio afirmou ter sido ferido durante os acontecimentos revolucionários.

Após a implantação da República retirou-se para Vidago, onde escreveu textos em defesa do último governo monárquico. Apesar das suas convicções monárquicas, manteve uma postura moderada e apelou aos seus apoiantes para que não hostilizassem o novo regime republicano.

Descrito como um homem de ação, de “vontade de ferro” e de discurso vigoroso, Teixeira de Sousa era simultaneamente admirado e contestado nos meios políticos da capital. Em entrevista à revista Ilustração Portuguesa, em 1907, apresentou-se como alguém dedicado sobretudo ao trabalho e à ação política.

Na vida pessoal, casou com Emília Teixeira de Sampaio, com quem teve três filhos: António, José e Alice. Faleceu no Porto, no Hotel Francfort, a 5 de junho de 1917, vítima de uma síncope cardíaca. O cortejo fúnebre reuniu milhares de pessoas e seguiu para Sanfins do Douro, onde foi sepultado.

Afonso Costa considerou a sua morte como uma verdadeira “perda nacional”, reconhecimento do impacto político e histórico de uma das figuras mais marcantes do final da monarquia portuguesa.

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