D. Antonio Valente da Fonseca, 2.º Bispo de Vila Real (1933-1967)

 D. Antonio Valente da Fonseca, 2.º Bispo de Vila Real (1933-1967)

O venerando Bispo da Diocese

Sua Excelência Reverendíssima, D. Antonio Valente da Fonseca, 2.º Bispo de Vila Real, ocupando por merecimento próprio tão eminente lugar, é filho, contudo, de modestos lavradores, dos quais foi sempre, com justificada razão, motivo do maior orgulho.

Seu pai, António Bento Valente da Fonseca faleceu em Válega, onde reside ainda
sua mãe, que estremece com o filho que a idolatra.

D. António Valente da Fonseca nasceu em Válega, concelho de Ovar a 19 de Novembro de 1884.

Concluiu o curso teológico no Seminário do Porto em 1906. De 1906 a 1912 frequentou a Universidade Gregoriana, onde se doutorou em Filosofia e Direito Canónico. Ordenou-se de presbítero em S. João de Latrão, a 21 de Dezembro de 1907.

Nomeado pároco de S. Cosme de Gondomar, em 1914, foi transferido para Cedofeita (Porto), em 1923.

Eleito bispo titular de Céramo e auxiliar de Vila Real em 23 de Outubro de 1931, foi sagrado
na Sé do Porto em 21 de Fevereiro de 1932, pelo sr. D. João Evangelista de Lima Vidal, servindo de Prelados assistentes o actual sr. Arcebispo Primaz e o sr. Bispo Coadjutor de Lamego, e entrou na Diocese em 8 de Maio seguinte.

Nomeado bispo residencial de Vila Real no dia 31 de Maio de 1933, tomou posse da Diocese no dia 29 de Julho desse mesmo ano.

Para se verificar a beleza e a grandeza de alma do venerando bispo da Diocese de Vila Real, bastará notar-se o seguinte que, em toda a sua singeleza, não poderá deixar de tocar os corações bem formados.

Sua Excelência Reverendíssima cede todos os seus proventos ao Seminário, os quais nem lhe chegam a passar pelas mãos.

E quantos lhas beijam sem avaliarem, infelizmente, quanta razão o fazem, quanto essas santas mãos merecem, de facto, ser beijadas!

E merecem porque, felizmente, tivemos ocasião de apreciar, bem de perto, a lhaneza do seu coração de ouro, o seu conhecido mérito intelectual e ainda mais, as altas virtudes do seu espírito culto, na amável entrevista que nos concedeu.

Mãos largas, coração magnânimo, lá vai... Diocese em fora, vencendo dificuldades e aconselhando todos os diocesanos a cumprirem, à risca, as palavras que o momento trágico da hora presente aconselha: «Produzir e Poupar».

E, socorrendo necessitados, visitando presos, ensinando as criancinhas, o Sr. D. António Valente da Fonseca, torna-se o ídolo do seu rebanho, e oxalá «a voz do Pastor chegue a todos os recantos da Diocese, entre em todas as casas, ressoe a todos os ouvidos e preze a Deus que penetre em todos os corações», segundo as palavras deste venerando prelado, cujos ideais se resumem no lema: «Deus, Pátria e Família».

Bandeira de Toro, “O Concelho de Vila Real” – Julho de 1943 (texto editado e adaptado)

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