Pirotecnia Trasmontana | Artes e tradições de Vila Real

Pirotecnia Trasmontana

Vila Real, 1982

“Há festa num povoado e logo o povo acorre às janelas e ruas para ver passar a banda de música, os Zés-Pereiras, ouvir o barulho dos foguetes e ver o maravilhoso fogo preso que à noite se estende pelo céu fora, iluminando-o com as suas variadas cores e bonitas decorações.

Pelo S. João e noutras festas e romarias importantes, o trabalho de pirotecnia é de apreciar.

Resolvi, portanto, estudar a fundo este trabalho artesanal, revelador de uma muito antiga e importante cultura regional.

Para conseguir o meu objetivo, conheci um fogueteiro, o único existente em Vila Real, que desde pequeno se interessa e trabalha em pirotecnia: é o Sr. Narciso José de Almeida Ramalheda, nascido em 26 de março de 1938, no lugar de S. Mamede, freguesia de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido por José Ramalheda.

Possui uma oficina de fogo-de-artifício em S. Mamede, pequeno lugar pertencente a Vila Real.

Figura simpática, revelou-se bom conversador, muito hospitaleiro e exemplo do português, honrado e trabalhador. (…)

Seu avô era José de Almeida da Silva, que habitava numa quinta chamada «Quinta da Ramalheda», em S. Mamede.

Daí lhe nascera a alcunha de Ramalheda, nome pelo qual ele e os seus sucessores vieram a ser conhecidos.

Hoje, Narciso José de Almeida acrescenta ao seu nome completo a palavra Ramalheda, que utiliza e assina.

A primeira oficina de pirotecnia foi fundada em 1879 por seu referido avô.

Há mais de um século, pois, que esta família se encontra ao serviço da pirotecnia nacional.

(…)”

José Almeida da Silva, fundador da oficina de pirotecnia, em 1879


José Ramalheda (filho)


Narciso José de Almeida Ramalheda,
continuador da tradição familiar de pirotécnicos


 

Armindo Ferreira, empregado do fogueteiro


Fonte: “Artes e Tradições de Vila Real” (texto editado e adaptado)

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