Rua Marechal Teixeira Rebelo | Razões da toponímia vila-realense
«Pelo
senhor Presidente foi apresentada a seguinte proposta, a qual foi aprovada por
unanimidade: “considerando que é dever nosso perpetuar e fazer lembrar aos
vindouros os nomes dos cidadãos mais prestimosos e que, pelos seus actos, se
tornaram dignos da nossa admiração: considerando que n’estas condições se
encontra o marechal António Teixeira Rebelo, natural da Cumieira, que tomou
parte na campanha do Roussillon, seguiu para França na legião portugueza,
praticando actos que lhe grangearam justo e legítimo renome, fundou o colegio
militar, no género o melhor estabelecimento de ensino do Paiz: proponho que à
rua da Fonte do Chão seja dado o nome de rua “Marechal Teixeira Rebelo”.”»
Fonte:
Atas da Câmara Municipal de Vila Real – Sessão de 23/10/1926 | CT: AMVR/ALL-CMVR/B/A/001/Lv075
António Teixeira Rebelo
António Teixeira Rebelo (c. 1748 – Lisboa, 6 de outubro
de 1825) foi um militar, estadista e pedagogo português, que se destacou como marechal
de campo, ministro e figura relevante do início do liberalismo em Portugal.
Nasceu em meados do século XVIII
(1748), na freguesia da Cumieira, concelho de Santa Marta de Penaguião.
Proveniente de origens modestas, recebeu formação inicial em gramática latina e
filosofia, o que lhe permitiu ingressar na carreira militar com preparação
intelectual acima da média para a época.
Alistou-se como voluntário no Regimento
de Artilharia de Valença ainda jovem (c. 1761–1764), iniciando uma carreira
que viria a desenvolver-se de forma progressiva e meritória. Em 1780 ingressou
na Academia de Marinha, onde obteve distinção, sendo promovido a 2.º
tenente em 1784. Posteriormente, integrou unidades de artilharia da corte,
consolidando a sua posição como oficial técnico e especializado.
Em 1793, destacou-se também no
plano intelectual ao traduzir e adaptar o Tratado
de Artilharia de John Muller, obra que foi adotada no ensino militar
português, revelando o seu contributo para a modernização científica e técnica
do Exército.
Durante o final do século XVIII,
participou em operações militares no contexto europeu, nomeadamente na campanha do Rossilhão (1795), integrada
nas guerras contra a França revolucionária, o que reforçou a sua experiência
militar em cenário internacional.
Um dos marcos mais relevantes da
sua carreira foi a sua ligação à formação militar em Portugal: é apontado como fundador
e primeiro diretor do Real Colégio Militar (1803), instituição fundamental
na preparação de oficiais do Exército português e que perdura até à atualidade.
Papel político e no início do liberalismo
A sua projeção ultrapassou o
domínio estritamente militar. No contexto da Revolução Liberal de 1820 e
da reorganização do Estado, António Teixeira Rebelo assumiu funções
governativas de grande relevo.
Em 29 de janeiro de 1821,
foi eleito pelas Cortes para o cargo de Secretário de Estado dos Negócios da
Guerra, integrando o primeiro governo do período liberal (Vintismo).
Exerceu estas funções no quadro
do Conselho de Regência instituído enquanto o rei D. João VI permanecia no
Brasil, sendo posteriormente reconfirmado no cargo por decreto régio de 4 de
junho de 1821. Permaneceu em funções até 8 de setembro de 1821,
sendo distinguido com uma comenda da Ordem de Avis pelos seus serviços.
Em 1822, foi nomeado Fidalgo
Cavaleiro da Casa Real, reforçando o seu estatuto social e político.
Paralelamente, integrou
iniciativas de modernização económica e cultural, como a Sociedade Promotora
da Indústria Nacional, da qual era membro em 1823, evidenciando o seu
envolvimento no movimento reformista liberal.
Últimos anos e morte
António Teixeira Rebelo faleceu
em Lisboa, na madrugada de 6 de outubro de 1825, tendo sido sepultado na
Igreja do Corpo Santo. Morreu sem descendência, deixando os seus bens a
familiares próximos.
