Camilo por terras de Vila Real: Roteiro



1. Campanário de São Dinis.

2. A Casa dos Brocas, sita na então chamada Rua da Piedade, foi mandada construir pelo avô de Camilo, Domingos José.

3. O Teatro de Vila Real surge em 1846 com a adaptação de um edifício pertencente ao tio João Pinto da Cunha para a estreia de Agostinho de Ceuta, a primeira obra dramática de Camilo Castelo Branco. Situava-se na antiga Rua do Tribunal, há muito absorvida pela Avenida Carvalho Araújo. Funcionou durante quase quatro décadas.

4. No entroncamento da Rua das Flores (hoje Rua D. Margarida Chaves) com a Rua de S. Jacinto (hoje Rua Isabel Carvalho) levou Camilo as célebres cacetadas do Olhos-de Boi. (ver nota 1)

5. Algures na Rua Direita foi Camilo espancado por um grupo de sargentos de Caçadores 3. (ver nota 2)

6. Cheia no rio Corgo

7. Na Rua da Guia viveu Camilo a sua ligação com Patrícia Emília.

8. Na Rua do Jogo da Bola (hoje Rua Alexandre Herculano) morava Patrícia Emília, em casa de sua tia e protectora.

9. Camilo terá morado com a tia Rita Emília e o “tio" João Pinto da Cunha na que é hoje a Rua da Boavista.

10. No cemitério do Carmo [já não existe. No espaço foi construída a Casa Diocesana] ainda se pode ver o mausoléu que Camilo diz ter sido feito para si.

11. Na chamada Casa dos Vilaças, onde hoje é o Arquivo Distrital e era na época posto dos correios, viveu, entre 1830 e 1831, o menino Camilo com seu pai, que era correio-assistente.

12. O busto de Camilo, que muito deu que falar em tempos, encontra-se aqui, no Jardim da Carreira.

13. Antigo convento de São Francisco, onde se encontrava a Biblioteca Pública de Vila Real.

14. Capela do Santo Soldado, no sítio do Arcabuzado. (ver nota 3)




Fonte: “Camilo por terras de Vila Real – Antologia Breve”, organização de A. M. Pires Cabral, edição da CM de Vila Real, no âmbito das Comemorações do Bicentenário de Camilo Castelo Branco, 16 de março de 2025. (Negritos do Escarpas do Corgo)

Notas (recolha feita pelo Escarpas do Corgo):

            1.- "(...) E a 28 de Abril desse ano [1847], provavelmente recomendado por José Passos, Camilo é admitido como amanuense do Governo Civil pelo respectivo titular, Dr. Tomás Maria de Paiva Barreto, afecto à Patuleia.

A 30 de Junho o Convénio de Gramido põe fim à Maria da Fonte com a derrota da Junta do Porto, e o novo governador civil de Vila Real, Dr. José Cabral Teixeira Morais, cabralista, intima-o a despir a manga-de-alpaca e a pôr-se no olho da rua.

Camilo rapa da pena e começa a zurzir o déspota nas gazetas: José Cabral Teixeira de Morais, governador civil de Vila Real – esse seminário de estupidez e de imoralidade, o pesadelo em despotismo – dorme o sono do crime, mas o braço que há-de acordá-lo vela sempre.

O Governador Civil dá ordens ao “Olhos de Boi” para “partir um braço ao gazeteiro”.

Com data de 23 de Agosto de 1847, Camilo conta no “Nacional” o que lhe aconteceu: “Da porta do governador civil, no dia 17 do corrente, pelas 10 horas da manhã, saiu um homem armado de cacete, espancou-me, deitou-me por terra e, recolhido outra vez à casa donde saíra, apareceu com uma espingarda, e com um desgarre insultuoso, à porta de S.ª Ex.ª. Entregue às mãos do assassino, ainda agora tremo da posição em que estive quando sei evidentemente que José Cabral tinha dito ao caceteiro: – mata-o! – E porquê? José Cabral confessa que à sua ordem eu fui espancado e dá a razão deste delito, porque eu não lhe tirara o chapéu, tendo-o o visto à sua janela. (…) Como autoridade, que direito tem sobre o meu chapéu?”

Camilo continua com as crónicas. E o “José das Bolas”, alcunha do Governador Civil, manda-o agredir de novo. (...)" In O rapto de Patrícia Emília, Bento da Cruz, Revista Tellus, nº 49

2.- "(...) Para a ajudar à festa, também um grupo de 11 sargentos do Batalhão de Caçadores 3, aquartelado em Vila Real, o agrediram violentamente e em plena rua, a murros e pontapés. 

Valeu-lhe a intervenção dum outro sargento do mesmo corpo, Tomás António Neves e Sousa, que lhe acudiu, não por humanidade ou simpatia, mas para que a sua namorada, que estava à janela, visse como ele era valente e destemido. Motivo? Durante a Maria da Fonte, no chamado Desastre de Valpaços, dois regimentos de infantaria, o 3 e o 15, que lutavam sob as ordens de Sá da Bandeira, patuleia, passaram-se às hostes do Barão do Casal, cabralista. Camilo verberou-lhes a cobardia e a traição nos jornais. Os dois regimentos em peso juraram vingança.(...)." In O rapto de Patrícia Emília, Bento da Cruz, Revista Tellus, nº 49

3.- "Camilo Castelo Branco, no romance "O Esqueleto", de 1865, conta brevemente a história do Santo Soldado, dando-o como condenado por desertor no ano de 1811.":

"(...) A franceza, quando ia caminho do Vidago, pernoitou em Villa Real. Ao arraiar da manhã, cavalgou, e fóra da villa, n'uma esplanada de monte, chamado o «Arcabuzado» parou a examinar um mau retábulo, em que um pincel de 1811 contava á posteridade o caso triste do espingardeamento de um soldado desertor, cinco minutos antes de chegar de Lisboa o pai do padecente com o perdão da junta governativa. Este infausto successo contou-lh'o, em frente do painel, um mancebo, que desde a hospedaria a seguira, sobre o seu irrequieto cavallo. (...)"

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