Feira do Bacalhau de Abambres 2026
A Feira do Bacalhau de Abambres
2026 realiza-se nos dias 15, 16 e 17
de maio no Largo da Baralha, em
Abambres, Vila Real.
Organizado pela Comissão de Festas de Santo Isidro, o evento promete
três dias de gastronomia tradicional, artesanato, produtos regionais, música e
dança.
Programa da Feira do Bacalhau de Abambres 2026
Dia 15 de maio (sexta-feira)
19h30 - Missa em honra de Santo Isidro, na Capela
21h00 - Atuação do Rancho Folclórico da A.C.E.F. Vale de Nogueiras
Dia 16 de maio (sábado)
7h30 - Passeio BTT Épic - Bacalhau de Abambres
10h00 - Abertura da Feira & Grupo Explosão de Abambres
A Feira conta com a presença de produtores regionais com venda de
produtos de artesanato, fumeiro, produtos hortícolas, mel e licores, bonecos de
trapo, bijuteria, entre outros.
12h00 - Almoço na Barraca da Comissão
17h00 - 2ª edição "Abambres Chef"
19h30 - Jantar na Barraca da Comissão
22h00 - Atuação do Grupo "Another Way"
17 de maio (Domingo)
10h00 - Abertura da Feira com Mata-bicho
12h00 - Almoço na Barraca da Comissão
15h00 - Majestoso Leilão
18h00 - Encerramento da Feira
Ementa Típica:
. Bacalhau com Batata a Murro
. Fêveras, Barriga e Fralda na Brasa
. Bacalhau de Abambres
. Caldo de Cebola
. Sobremesas
. Café
“O que é o “bacalhau de Abambres”?
A expressão
“bacalhau de Abambres” não é seguramente conhecida para além dum aro geográfico que compreende o concelho de Vila Real e alguns dos concelhos limítrofes. Em termos
gastronómicos até pode ser confundida como
uma receita secreta de confeccionar o chamado fiel amigo, mas, de facto, não o é, nem tem aparentemente
nada a ver com o peixe teleósteo gadioforme
da família dos gadídeos, proveniente dos mares do Norte da Europa e Terra Nova, do qual se podem comer óptimos pratos confeccionados nos restaurantes da nossa freguesia.
Importa
questionar a origem do termo e o porquê da sua irradiação a partir deste lugar.
Como é sabido
Abambres é um lugar da freguesia de Mateus e do concelho de Vila Real. É uma povoação antiquíssima que já existia antes da fundação do reino de Portugal.
O documento mais antigo que conhecemos, referente a um lugar da freguesia de Mateus, datado de
8 de Julho de 1101 e,
através dele, Afonso Alvites
transfere uma propriedade (na “vila Avamores” situada “in Terra de Panonias discurrente rivulo
Corrago”) a favor da Sé de Braga (ao tempo
do Arcebispo D. Geraldo), sendo uma parte a título de venda e outra parte como resgate duma penitência imposta a seu filho Mendo.
O chamado
“Bacalhau de Abambres” mais não é que a vulgar cebola, essa planta herbácea que dá pelo nome
científico de allium
cepa e que não dispensamos
nas nossas cozinhas, onde é utilizada para vários fins, tais como refogados, assados, cozidos, etc.
Não sabemos desde quando é usado o termo, sendo certo que nas “Tradições populares e Linguagem
de Vila Real”, publicadas na Revista Lusitana (vol. XI, p. 268, vol. X, p.
191, Vol. XII, p. 132) o termo não é referido.
Muito provavelmente o termo terá sido criado pelos hortelãos de Abambres
e faria parte dos seus pregões nas feiras da região, no sentido de apresentar
e fazer publicidade ao cebolo e à cebola que desejavam vender e que era uma das principais produções de Abambres. É sabido que na alimentação
das famílias pobres a cebola ocupava um lugar especial, já que era comummente usada cozida com
batatas, ou comida crua, partida às rodelas,
ou “picada” com batata cozida (sem mais nada a acompanhar) e regada com azeite e vinagre. É sabido
que já na Antiguidade a cebola era consumida
pelos Assírios, nomeadamente pelos soldados, por ser tida como uma fonte de vigor.
Aqui, o termo
terá sido usado em sentido algo pejorativo, pelo
facto de a cebola rivalizar com o bacalhau que apesar de conhecido por “fiel amigo”, raramente ia à mesa
dos pobres; daí, o facto, de os hortelãos de
Abambres lhe passarem a chamar “o bacalhau de Abambres”, termo por que passou a ser conhecido. Muito provavelmente pode ter havido a intenção
de diferenciar o cebolo e a cebola de Abambres, atribuindo-lhe qualidades que outros não teriam.
Refira-se que
os praceiros de Abambres, numa actividade secular que durou até há algumas
décadas atrás, vendiam o cebolo e a cebola, nos mercados de Vila Real e nas
feiras e mercados da região, designadamente Vila Pouca de Aguiar, Pedras
Salgadas, Campo de Jales, S. Martinho de Anta, Régua, etc.
Ainda nos
tempos de criação do autor deste estudo existiam dezenas de praceiros em
Abambres, onde se incluíam os seus pais, que demandavam os mercados da região
para vender os seus produtos agrícolas onde se incluía a cebola. Dou conta de
alguns, quer pelas alcunhas, quer pelos apelidos – os “Bilhacos”, os “Chilões”,
os “Mecos”, “os Navalhos”, Jordão, Eira, Conde. O transporte era feito nas
furgonetas de aluguer do Luís Reinolo, do Claudino Gonçalves, ou do Albino. Em
tempos recuados, iam com os seus burros carregados com a designada “tenda”.
Quando iam para Vila Pouca ou Jales, iam na véspera e iam dormir à Carrica, no
início da recta de Vila Pouca, em algum palheiro ou cardenho emprestado.
O cebolo aqui
semeado era vendido, de Abril a Junho, para plantar em molhos que tinham
normalmente um cento. Se as plantas fossem um pouco maiores era vendido ao
molho.
A cebola,
apelidada de “Bacalhau de Abambres”, era vendida nas mesmas feiras, “enrastada”
com recurso de palha de centeiro, em “cabos” de 25 pés; pelo contrário a cebola
de Loivos (Chaves), que também era afamada, era vendida em cabos de 18 cebolas.
Exímio
“enrastador” de cebola, em Abambres, era o Sr. António da Eira, conhecido por
António Rolindo.”
Provavelmente,
em razão da grande concorrência enfrentada com a cebola de Loivos, os praceiros
de Abambres criaram a expressão ”Bacalhau de Abambres”, para afirmar a
supremacia desta sua produção.”
É de referir
a grande crença dos praceiros de Abambres, no seu padroeiro e protector Santo
Isidro, venerado na sua capela de Abambres, num culto que remonta às primeiras
décadas do século XX. Daí o facto de, ainda hoje, o andor carral de Santo
Isidro, puxado por uma junta de bois maroneses, na festa que se realiza no mês
de Agosto, fazer alusão aos produtos agrícolas aqui cultivados, designadamente
a cebola, o pão (milho) e o vinho”
Excerto da
autoria de António Conde, retirada da comunicação “Mateus: sua terra e suas
gentes”, apresentada na Sede da Junta de Freguesia de Mateus, em Junho de 2013.
(com autorização do autor)
Uma explicação para a origem da expressão:
A
designação “bacalhau de Abambres” dada às cebolas terá tido origem há
muitas dezenas de anos, ou mesmo uma centena.
Um dia, um
filho perguntou à mãe o que iria ser o almoço ou o jantar.
A mãe
respondeu-lhe:
- “Batatas
com bacalhau.”
Naquele
dia, o rapaz comeu e calou.
No dia
seguinte, verificou-se a mesma situação. O filho perguntou, a mãe deu-lhe a
mesma resposta. O rapaz comeu e nada mais disse.
Ao
terceiro dia, o rapaz viu uma vizinha a trabalhar a terra e a arrancar algumas
sementeiras.
Ao ver o
que a vizinha estava a fazer, o rapaz exclamou:
- “Ai
que lindos bacalhaus!”
A vizinha
ficou muito admirada com o nome que o rapaz deu ao que ela estava a arrancar.
Um pouco
mais tarde, ao encontrar a mãe do rapaz, a vizinha perguntou-lhe:
- “O
teu filho não sabe o que é bacalhau? É que ele viu-me a arrancar cebolas e
disse: “Ai que lindos bacalhaus!”
De
imediato, a mãe do miúdo respondeu-lhe:
- “Sabe,
vizinha, para nós cebolas são o bacalhau que podemos comer.”
Explicação
disponibilizada por Duarte Pinto no FB (texto editado e adaptado)

