Tecelagem do linho e da lã em aldeias de Vila Real
Fiandeira de linho, Agarez |
Em algumas
aldeias das cercanias de Vila Real (Cales, Lordelo, Agarez ...) e nos
povos da Campeã subsiste, ainda que em pequena escala, a cultura do linho
e a indústria caseira do seu tratamento e tecelagem com caracteres de
primitividade.
As quadras, que
a seguir apresentamos, recolhidas em Agarez, Cales e Campeã (Aveção do Cabo),
revelam aspectos da faina do linho:
Assenta-te
aqui, António,
na mesa do meu tear.
Enche-me uma canelinha,
O mundo «deix'ó falar.
Mariquinhas
tecedeira
tem o tear à janela:
dá-lhe o vento da ribeira,
todo o fiado lhe quebra.
Nossa
Senhora tem linho,
quem tem linho tem linhaça;
hei-de servir a senhora,
dois anos ou três de graça.
Mariquinhas
tecedeira
tem o tear e não tece;
certo é que tem amores
ou o tear lhe aborrece.
Quem me dera
ter a dita
como o linho que fiais,
para vos dar tanto beijo
como vós no linho dais.
José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, vol. VI, Lisboa, 1975
Tear de linho de AgarezD. Adelaide Barrias (Agarez), no tear, e sua tia, D. Ana. |
Toalha rifada de linho |
In “Trás-os-Montes
e Alto Douro”, Subcomissão Regional das Comemorações do Dia de Portugal, de
Camões e das Comunidades Portuguesas – Vila Real, 1979